Na semana em que os atentados as torres gêmeas fazem 11 anos eu deixo aqui um artigo muito interessante, que fala sobre o por que?, as torres cairam e como eram suas estruturas, confiram ai:
O engenheiro civil gaúcho Dr. José Jairo de Sales é um especialista em Engenharia de Estruturas Metálicas. Formou-se na Escola de Engenharia Civil de Barra do Piraí, Rio de Janeiro, tendo desenvolvido inúmeros projetos de engenharia básica e de construção mecânica e civil.
Em 1984 veio para São Carlos para fazer o mestrado, assumindo uma vaga de professor, dois anos depois, no Departamento de Engenharia de Estruturas da Escola de Engenharia (EESC-USP). Lá, além dos trabalhos como professor e o doutoramento, projetou as estruturas metálicas de vários edifícios do câmpus, como o do Departamento de Engenharia Elétrica, a Biblioteca Central, o Bloco B, entre outros, e recuperou o Ginásio de Esportes.
Como especialista em Estruturas Metálicas, concedeu uma entrevista para explicar o aspecto estrutural da queda das torres do World Trade Center, atingidas por dois aviões no ataque terrorista a Nova Iorque em 11 de setembro de 2001.
Torres do WTC, no sul da Ilha de Manhattan
WTC hoje

CDCC Ciências – O que aconteceu com as Torres Gêmeas do World Trade Center (WTC) de Nova Iorque?
Prof. Jairo – Foram destruídas por ato terrorrista!
CDCC – Como era a estrutura das torres?
Jairo – A estrutura do WTC era composta por 57 pilares periféricos (de 35cm x 35cm) em cada fachada de 63m de extensão, espaçados entre si a cada metro. Esses pilares uniam-se acima do térreo em 19 pilares espaçados à distância de 3 metros, além de dois pilares em cada canto das torres. Eram, no total, 236 pilares por andar. Não havia pilares-parede de concreto no núcleo dos edifícios, exceto os pilares de aço do núcleo dos elevadores. Em cada andar, lajes com 10cm de espessura sobre "steel deck" apoiavam-se sobre 236 vigas periféricas de 1,22m de altura, e 125 vigas-treliças de aço, com 18m de vão entre a fachada e o núcleo. O conjunto dos pilares externos, solidarizados entre si pelas vigas periféricas, formava um tubo estruturado, cujas propriedades mecânicas eram alteradas pelo fato de não ser constituído por paredes contínuas, mas perfuradas.
CDCC – Havia algo de especial e inovador no prédio?
Jairo – Edifícios tão altos quanto estes necessitam de sistemas seguros para conter as oscilações do topo sob ação dos ventos. Segundo o engenheiro e professor aposentado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Mário Franco, ventos fortes eram capazes de "balançar" as torres a 90cm ou mais. "No WTC o sistema de amortecimento da estrutura consistia de 10 mil amortecedores visco-elásticos inseridos nas vigas-treliça de contraventamento de cada torre, não constando em toda a literatura técnica consultada nenhuma menção a massa oscilante acoplada em seu topo". O professor Franco critica a tese divulgada pela imprensa brasileira nos dias subseqüentes ao acidente, apontando como co-responsável pela queda das torres um contrapeso de 600 toneladas que funcionava como um pêndulo no alto das torres.
CDCC – Qual a principal diferença estrutural entre prédios "comuns" e prédios "grandes"?
Jairo – Basicamente as cargas, que são maiores conforme forem maiores as dimensões.
CDCC – Por que o prédio caiu?
Jairo – Após o impacto os tanques de combustível derramaram milhares de litros de gasolina, provocando um incêndio alimentado pela carga térmica do próprio edifício. Pouco a pouco, a temperatura subiu, com progressiva redução do módulo de elasticidade e da tensão do escoamento da estrutura, até que, por volta de 800ºC, os pilares se romperam. Pode ter havido perda da estabilidade dos pilares externos após a ruína de um ou mais andares, enfraquecidos pelo fogo. A parte superior da estrutura desmoronou sobre a inferior, e provocou o colapso progressivo a que assistimos. No caso da Torre Norte, acima da área destruída pelo avião havia dez andares de 3600m² cada, cujo peso total é avaliado em cerca de 2400tf por andar. A causa da ruína se deve ao esmagamento dos pilares remanescentes da região atingida que, fragilizados pelo fogo, receberam toda a carga que antes era suportada pelos pilares destruídos. Apesar de ter sido a primeira atingida, resistiu bem mais que a Torre Sul em razão de o avião ter se chocado mais na parte central do edifício, o que explica a queda vertical dessa torre. Já a Torre Sul, atingida em diagonal, teve destruição assimétrica e, portanto, mais acelerada. Antes de ruir inclinou-se a 150° ou mais em direção ao canto atingido. O que mais me impressiona é que o rompimento dos edifícios se deu da maneira como foram montados, só que ao contrário. Os módulos foram se soltando de três em três, conforme a montagem, e que o "colapso final" se deu pela destruição das juntas entre os módulos pré-fabricados, tanto nas junções de topo dos pilares quanto das vigas de fachada, nestas últimas predomina a ruptura por cisalhamento dos parafusos, e raramente se observa o rasgamento dos furos da conexão.
CDCC – Qual foi o motivo que fez com que a queda parecesse uma implosão?
Jairo – Isso ocorreu porque o núcleo ruiu antes que os pilares das bordas.
CDCC – Por que o prédio não tombou com os impactos?
Jairo – Prédios desta altura possuem reserva de resistência para resistir a vento, impactos, explosões, etc.
CDCC – Que mudanças na estrutura das torres poderiam ter evitado a queda?
Jairo – Eu ainda não sei quais deveriam ser estas mudanças, mas esta pergunta deverá ser respondida pela tecnologia futura.